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Blog da MADA

Transcendendo a Transição de Gênero

  • Foto do escritor: Marcela Galindo Goularte
    Marcela Galindo Goularte
  • 7 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Existe uma insistência em significar palavras apenas sob a própria perspectiva de entendimento e impor esse entendimento a sua leitura de mundo, sem considerar o próprio miopismo cognitivo.



A cerca de dois anos atrás, dentro da comunidade “T” (transgênero) vem crescendo de forma mais agressiva uma discussão no mínimo intrigante.

O estopim mais candente pra essa discussão são mulheres trans que, por motivos diversos, sustentam suas barbas ou *chuchu.


*o marcante tom esverdeado no rosto quando a barba fica por fazer.


Esse aspecto levou a algumas meninas do próprio grupo, à lerem essas como “pessoas que não transicionam socialmente” e sob essa definição se permitem de forma autoritária, invalidar a condição de pessoa transgênero a essas mulheres.


Eu proponho aqui, que façamos uma leitura sob a perspectiva do ser e do seu direito a auto-expressão.


Como definimos em palavras a expressão do que somos e do que nos cerca, é nela que cunho minha observação sobre essa discussão.


A origem mais antiga e conhecida para o uso do prefixo "Trans" esta relacionado a capacidade de "transcender".


Das diversas opiniões que ouvi, das discussões que participei e de algumas mensagens diretas que recebi em minhas redes sociais, em grande maioria as pessoas que defendem que para considerar alguém transgênero, essa pessoa deve “transicionar por completo”, essas pessoas também entendem que o prefixo trans na verdade é apenas a abreviação da palavra “Transição”.


Bom quero deixar bem claro aqui que transicionar é apenas um dos aspectos da transgenerida, quem lê a transgeneridade apenas como transição, refere-se unicamente ao ato de passar de um estado para outro. Assim, se enquadrando na leitura imposta pela binaridade de gêneros.


E é importante eu ressaltar que entender assim não errado, esse é apenas o lugar que algumas pessoas ainda se encontram na compreensão do pensar comportamento social de gênero.


Dito isso, esse lugar não da a ninguém o direito de querer enquadrar o mundo a sua atual perspectiva de conforto.


Limitar a leitura da transgeneridade unicamente em transicionar, é assumir olhar o mundo apenas por lentes que emolduram uma única forma de existir.


Que legam a marginalidade as diversas expressões de existência e não as considera humanas o suficientes para serem vividas em sociedade.


Com o poder da evolução cognitiva e capacidade crítica que alcançamos como sociedade, hoje podemos definir uma pessoa transgênero através de uma perspectiva mais ampla.


Sendo "aquela que transcende" as assumidas noções de gênero impostas pelo "o estado das coisas". Sendo aquela se encontra depois daquilo que se conhece.


Afinal, a construção de caminhos e tecnologias de convivência se faz não apenas olhando para o que a sociedade entende hoje, mas também e principalmente, sobre como a sociedade entenderá as relações depois que formos embora, depois que você e eu passarmos.


Não podemos esperar que o estado posto da binaridade nos acolha ou nos permita existir.


Do voto feminino a carga horária de 44h semanas trabalhadas, nada foi dado tudo foi conquistado. Por tanto, não podemos esperar que o mundo posto como estado das coisas nos inclua de bom grado, esse é um espaço que precisamos conquistar e nunca o faremos enquanto continuarmos adotando a perspectiva de quem nos oprime sobre quem nós somos.

Viver é deixar viver, sentir é deixar sentir mas crescer, é permitir-se crescer.





 
 
 

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